Comer como um migrante
Migração internacional e alimentação
DOI:
https://doi.org/10.17398/3020-3635.4.7Palavras-chave:
Migração internacional, Mobilidade humana, Transnacionalismo, Práticas alimentares, Identidade culturalResumo
Em um contexto global marcado pela intensificação da mobilidade humana, a migração internacional consolidou-se como um dos fenômenos sociais mais significativos de nosso tempo. Segundo dados recentes das Nações Unidas, em 2024 o número de migrantes internacionais atingiu 304 milhões de pessoas, representando 3,6% da população mundial. Essa realidade, frequentemente percebida como um desafio para os Estados nacionais, colocou a migração no centro das pesquisas sociais contemporâneas.
Sob essa perspectiva, esta editorial propõe pensar a migração como uma experiência vital atravessada pelo movimento, deslocamento e construção de vínculos que transcendem fronteiras. Para além dos fatores estruturais, enfatiza-se a importância da vida cotidiana das pessoas migrantes, suas relações com os territórios de origem e destino, e os processos culturais que emergem dessas trajetórias.
Nesse contexto, a alimentação assume papel central como espaço privilegiado para observar continuidades e transformações culturais, tema que consideramos importante destacar. Entendida como prática social e simbólica, a comida permite explorar identidades, memórias, emoções e sentidos de pertencimento, ao mesmo tempo em que evidencia dinâmicas de intercâmbio, mestiçagem e hibridização próprias dos contextos migratórios. Na AFOCUN, queremos sublinhar este tema de crescente relevância, dada sua capacidade de iluminar as complexas dinâmicas sociais, culturais e emocionais que configuram a experiência migratória nos contextos contemporâneos.
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