Etnografia viva na antropologia da alimentação:

A cultura pastoril como processo de identidade agroalimentar e transformação comunitária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17398/3020-3635.4.97

Palavras-chave:

Etnografia viva, Invenção do futuro, Intuição antropológica, Virada ontológica, Corporificação da comida

Resumo

Este artigo apresenta um caso de etnografia viva aplicada à antropologia da alimentação em Berastegi (País Basco), demonstrando como a pesquisa etnográfica transcende a documentação descritiva para se tornar uma ferramenta de transformação comunitária. Partindo de uma abordagem metodológica colaborativa e participativa, o autor combina técnicas tradicionais de recolha de dados com dinâmicas de reflexão coletiva, brainstorming e co-design com atores locais. A etnografia evolui desde a publicação de um livro comunitário até à criação de estruturas organizativas (mesa de pastores) e plataformas culturais (festival BE!) que ativam a identidade pastoral latente do território.

A análise da incorporação da alimentação — entendida como processo mediante o qual os produtos agroalimentares locais, especialmente o queijo artesanal, incorporam simbolicamente, sensorial e emocionalmente a história, a paisagem e a identidade comunitária nos corpos de produtores e consumidores — revela o potencial generativo da antropologia da alimentação para resistir à homogeneização global e criar modelos de desenvolvimento sustentáveis e enraizados.

O artigo argumenta que a etnografia viva constitui uma metodologia comprometida que amplifica saberes marginalizados e facilita a ressignificação cultural através da prática alimentar. Reflete sobre o papel da antropologia como disciplina transformadora, que deve ir além da academia e conectar-se com a vida quotidiana. Reivindica uma antropologia humilde, reflexiva e comprometida, que atende e acompanha, mais do que explica.

Apresenta a evolução de uma etnografia clássica para uma etnografia viva. A etnografia viva é vista como processo, não como produto, e como uma forma de imaginar futuros sustentáveis a partir da experiência partilhada.

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Publicado

2026-06-05

Como Citar

Etnografia viva na antropologia da alimentação:: A cultura pastoril como processo de identidade agroalimentar e transformação comunitária. (2026). Archives on Food, Culture and Nutrition (AFOCUN-ICAF), 4(1), 275-279. https://doi.org/10.17398/3020-3635.4.97