Por que os nossos mortos comem?

Mesa dos defuntos na costa do equador

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17398/3020-3635.3.111

Palavras-chave:

Comida, defuntos, Equador, resistência, coesão social

Resumo

A celebração dos mortos durante os dias 1 e 2 de novembro é um ritual pan-americano praticado especialmente nas comunidades nativas. Na costa do Equador, todos os anos, por meio da comida, convocam-se as almas para que retornem e compartilhem a refeição com a família que as recorda. As almas invocadas, tanto infantis quanto adultas, são convidadas a desfrutar uma grande variedade de alimentos preparados especialmente para elas.Esse ritual ocorre em diversas comunidades localizadas nas províncias de Guayas, Santa Elena e Manabí.

Através de um prolongado trabalho de campo na região, ao longo de várias décadas, recuperamos informações e testemunhos que nos permitem comparar mudanças e continuidades na preparação das comidas e dos produtos oferecidos.Não apenas as almas desfrutam da refeição, mas também toda a família reunida e todas as pessoas, adultas e crianças, que nesses dias visitam as casas onde se consome e compartilha a comida. Embora inúmeros impactos desde a época colonial tenham transformado a forma de comer, os ingredientes e o acesso aos recursos, a vigência do ritual faz sentido como um mecanismo de auto-referência e de contraste com a cultura branco-mestiça.

A comida, além de sua função de cuidar alimentando as almas, promove a coesão social e reafirma a identidade coletiva. As almas retornam para comer, mas também como um sinal de espiritualidade que reconhece a conexão entre dois estados — a vida e a morte —, para ativar a memória ancestral e reivindicar direitos.

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Ávarez Litben_2025

Publicado

2025-09-01

Como Citar

Por que os nossos mortos comem? Mesa dos defuntos na costa do equador. (2025). Archives on Food, Culture and Nutrition (AFOCUN-ICAF), 3(1), 111-132. https://doi.org/10.17398/3020-3635.3.111